ESPETÁCULO: ¨DE PARIS UM CAVALHEIRO¨.
A elegância é um estado da alma
capaz de albergar a paz interior de um cavalheiro, ainda sem ter
nada e estar sumido na solidão... Também a
interpretação chega a ser um ato elegante embora o
personagem seja um mendigo.
"De Paris, um Cavalheiro”, um
unipessoal do ator
cubano José Antonio Alonso nos mostrou os valores humanos e
a luta pela sobrevivência. O ator nos ensina que a atividade
teatral tem que ter respeito e ser muito digna, o que logra
através de um personagem onde as extensões de suas
palavras antepõem-se á sua degradada aparência
e nos lembra que um indigente também sente, palpa, sofre,
emociona-se, sonha e tem ilusões como
qualquer
um de nos.
Pelo matiz do espetáculo a obra aparenta um teatro clássico, embora, bem, ausente em relatos de amores; tece um dialogo unipessoal de valores universais como a perseverança e a lealdade. É um monólogo que tem a impressão do teatro universitário com os elementos cênicos e um que outro parágrafo abordado com um sentimento Cervantino* que pudera apontar ao “Cavalheiro Andante (Don Quixote)”, mas, enquanto vai seguindo os sapatos de José Maria López, o outro cavalheiro de Paris em terreno caribenho, percebemos um personagem encarnado de vivências hispanas e costumes do
Velho Mundo.
Na verdade, um tema pouco atrativo para o mexicano por desconhecer a historia do personagem da Havana, mas o publico que assistiu foi praticamente pelo curriculum do ator e pela sua repercussão internacional: podemos colocá-lo, pois dentro dos clássicos do teatro hispano-americano.
A pergunta obrigada ao Cavalheiro de Paris é: Senhor, você encontrou a felicidade? A possível resposta do indigente da Havana: "Eu fui o rei do mundo, porque o mundo sempre estava a meus pés, debaixo dos meus sapatos” De acordo com o relato, o cavalheiro morre em 11 de abril de 1985 na capital de Cuba e se lembra por possuir tanta paz sem ter absolutamente nada; algo absurdo para quem navega nas marejadas capitalistas onde o dinheiro diz do status, poder e este último, satisfação... Que se converte numa má interpretação vinculada á felicidade.
( Difusión Cultural. Mazatlán, Sinaloa. México. 30 de marzo del 2004.)
*Referente a Miguel de Cervantes e Saavedra, autor de “Don Quixote da Mancha”.